3. OS MAIS CAROS SÃO OS MELHORES?

“Os vinhos mais caros são os melhores.”. Continuo na categoria do abandono de mitos. Este é, indubitavelmente, um dos mais comuns e, uma vez mais, longe da verdade. Julgo necessário que se entenda que os tempos de hoje são marcados por um mercado livre, onde o preço dos vinhos é determinado por diversos fatores. Genericamente, os vinhos encarecem por razões que se prendem com (1) os custos de produção, (2) a reputação do produtor/marca e o fator moda, (3) a qualidade (obviamente) ou (4) a escassez.

(1) É bem verdade que os melhores vinhos têm, usualmente, custos de produção maiores na sua elaboração. Melhores barricas, melhores rolhas e melhores equipamentos significam custos acrescidos. Porém, nem sempre estes custos garantem que o produto final seja “o” melhor.
(2) Já todos ouvimos, certamente, falar das marcas Mateus (36ª marca de vinhos mais valiosa do mundo) ou Casal Garcia. Não vou opinar sobre a qualidade, mas facto é que estas marcas são fortíssimas nos mercados, fruto do buzz criado pelas grandes campanhas de comunicação e das modas que daí advêm.
(3) A qualidade paga-se em tudo, sem dúvida! Um pouco à semelhança do ponto (1), melhores técnicas produtivas podem levar a resultados de qualidade superior. Além disso, a qualidade é, quase sempre, reconhecida. Os concursos mundiais de vinhos acontecem durante todo o ano e, os premiados, ganham imensa notoriedade internacional. Em 2008, por exemplo, o vinho português Casa Ermelinda Freitas Syrah 2005 foi distinguido, de entre mais de 3 mil vinhos, como o Melhor Vinho Tinto do Mundo, num concurso, em Paris. Cada garrafa deste vinho, por norma, tem um preço de venda ao público de 9€. Em 2008, com aquele reconhecimento, o preço do Syrah 2005 subiu para 30€. Hoje, a Garrafeira Nacional vende-o a 95€ (ver site).
(4) É universal que o raro é caro. As pedras e metais preciosos são caros pela sua raridade. Na mesma ordem de ideias, pequenas produções de vinho dão origem a preços mais elevados. Neste ponto da escassez é também interessante analisar que, por um lado, os custos de produção tendem a ser maiores quanto menor for a quantidade; e por outro lado, os melhores vinhos tendem a vir de pequenas produções, uma vez que os esforços do enólogo e de toda a sua equipa estão concentrados em pequenas parcelas de vinha, dando-lhes uma maior atenção e um cuidado mais rigoroso. No entanto, mais uma vez, estas situações nem sempre são sinónimo de vinhos de qualidade superior.

Conclusão

Por norma, as pessoas têm uma preconceção errada sobre relação qualidade-preço do vinho. Em jeito de opinião pessoal, o vinho não tem de ser caro para ser bom. Em Portugal, felizmente, conseguimos encontrar vinhos de boa qualidade a preços bastante simpáticos, o que é raro acontecer noutros países. De qualquer forma, cada pessoa tem os seus gostos. O meu conselho vai no sentido de procurar marcas menos conhecidas e até de regiões menos divulgadas e ir experimentando. Decerto haverá surpresas positivas com as ‘preciosidades’ que baratas que há no mercado.

Curiosidades

  • A primeira vez que Portugal apareceu como vencedor do melhor vinho do mundo foi, justamente, em 2008, com o Casa Ermelinda Freitas Syrah 2005 (Península de Setúbal), elaborado pelo enólogo Jaime Quendera.
  • Em Portugal, em média, os vinhos mais caros são produzidos no Douro, fruto da qualidade inequívoca e da notoriedade comercial da Região. Sem perder em qualidade, na Península de Setúbal, por exemplo, produzem-se vinhos com uma das melhores relações qualidade-preço do país.
  • Apresento, no quadro abaixo (elaboração própria), os vinhos mais caros do mundo, em dois níveis: os mais caros de sempre vendidos em leilões e os mais caros em preço atual de venda ao público.
    vinhos_mais_caros.pngMas os patamares de preços não ficam por aqui. Há ainda outro nível no qual se pode apurar os vinhos mais caros: o tipo de vinho. No Canadá produzem-se os Icewines (Vinhos de Gelo), um tipo de vinho licoroso (género Vinho do Porto ou Moscatel de Setúbal). Tratarei com profundidade os Icewines futuramente, mas adianto que estes são os vinhos com a média de preço por garrafa mais alta do mundo, uma vez que cada videira produz quantidades muito pequenas (um exemplo que vai ao encontro do ponto (4)).

 

Fontes: memórias das longas leituras do Rizz.

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