2. O VINHO VERDE: TODA A VERDADE

“O Vinho Verde é feito com uvas colhidas ainda verdes, ao contrário do vinho maduro, que é elaborado com uvas completamente maduras.”. É uma imagem comum, mesmo entre apreciadores informados, mas que é completamente errónea. Vinho Verde é o nome de uma região vitivinícola de Portugal, tal como as regiões do Douro, do Dão ou do Alentejo. É a maior região portuguesa de produção de vinhos e uma das maiores da Europa, e tem o nome de Região dos Vinhos Verdes por ser a mais verde e húmida de Portugal — o Minho. E, pela mesma razão, a região de turismo chama-se Costa Verde. Os vinhos ali produzidos são feito com uvas maduras, à semelhança do que acontece nas outras regiões. E esses vinhos, chamados Verdes, podem ser brancos, rosados ou tintos.

Em Portugal, há a ideia, com algum suporte histórico, de que existem vinhos verdes e maduros. Esta classificação deixou de fazer sentido há décadas, mas ainda se ouvem sandices como “preferes verde ou maduro?” ou “este não é branco, é verde”. Isto seria como dizer “queres vinho douro, branco ou tinto?”. Pois, não faria sentido! Como estratégia de marketing, a diferenciação pode ter valor, mas um Vinho Verde branco é, na sua essência, um vinho branco, e é verdade que  há muitos Vinhos Verdes brancos que são dos melhores brancos que se produzem em Portugal.

Então se Vinhos Verdes é o nome de uma região vitivinícola, porque é que há tendência a falar-se em vinhos verdes e maduros?

Possivelmente, o nome Vinho Verde, que já vem do século XIX, deve-se ao aglutinar do clima e das antigas técnicas de viticultura locais. Em boa verdade, esses vinhos chamavam-se Verdes porque eram feitos a partir de uvas que não estavam completamente maduras. A Legislação Vitivinícola Portuguesa, de 1946, dividia os vinhos nacionais em “verdes”, “maduros” e “especiais” (tratarei os especiais em futuros artigos). Segundo esta legislação, os Verdes deveriam ter entre 8 e 11,5 por cento de teor alcoólico (com exceção dos vinhos da casta Alvarinho, que teriam entre 11,5 e 13). Os Maduros teriam um mínimo de 11 por cento, onde, a título de curiosidade, se encontravam, apenas, os Douro, Dão, Bucelas e Colares.

CONCLUSÃO

Vinho Verde é uma Denominação de Origem (em modo simplificado, é o nome de uma região vitivinícola), no Minho, no noroeste de Portugal. Ali, para a produção de vinhos são utilizadas uvas maduras, tal como nas outras regiões. Na origem da designação Vinhos Verdes estará, de facto, a constatação de que, outrora, eram feitos de uvas não completamente maduras. Uma curiosidade histórica que hoje não tem qualquer importância. A vinha e o vinho na região dos Vinhos Verdes passaram por enormes transformações nas últimas décadas. E, hoje, é uma região de viticultura moderna e com castas de grande qualidade (como Alvarinho, Loureiro e Avesso).

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Fontes: memórias das longas leituras do Rizz.

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