1. QUANTO MAIS VELHO MELHOR?

“Quanto mais velho melhor!”. Esta é uma das mais emblemáticas quando o assunto é vinho. Embora falaciosa, muitos continuam convencidos da sua veracidade. Tal como nós, humanos, o vinho tem várias fases da sua evolução: passa pela infância, pela juventude e pela maturidade, depois alcança a velhice e morre. E cada vinho apresenta caráter único e ponto de maturidade próprio, tornando esta definição de “bom envelhecimento” ainda mais difícil.

Na verdade, não são assim tantos os vinhos capazes de melhorar com o passar do tempo. Em todo o mundo, a quase totalidade dos vinhos é feita para ser consumida no curto prazo. Isto porque vivemos alturas em que é necessário responder aos mercados e fazer crescer as economias — vender todos os anos vinho novo é mais vantajoso do que vender um vinho a cada década. Além disso, nem todos os consumidores preferem vinhos velhos, dada a sua complexidade, que pode torná-los mais difíceis de beber. A maioria dos vinhos rosés (rosados, em bom português) tem um período de vida útil de 1 ou 2 anos, os brancos 2 ou 3 anos, e os tintos 4 ou 5 anos.

E porque é que nem todos são feitos para durar muitos anos?

Os poucos vinhos pensados para durar décadas são vinhos excecionais e, por norma, muito caros. Quando se fala de vinhos velhos fala-se, essencialmente, de vinhos tintos. E apenas um número muito reduzido possui as características adequadas para bem envelhecer. Essas características estão, essencialmente, ao nível da composição química da uva, do clima onde foi cultivada e da forma como o vinho foi elaborado. No entanto, também é possível encontrar vinhos brancos capazes de aguentar décadas sem deteriorarem.

 

CONCLUSÃO

O bom envelhecimento de um vinho está dependente de vários fatores — que não encaixam neste blog, pois vou zelar pela simplicidade. Então, não será razoável afirmar que os vinhos melhoram sempre com o tempo. E, atendendo a que as condições ideias de guarda dos vinhos são, raramente, as ideais, recomendo que não esperes demasiado tempo para abrir as garrafas que compraste recentemente.

 

CURIOSIDADES

  • De um modo geral, os vinhos tintos com baixo pH, como os Pinot Noir e os Sangiovese, são mais propícios ao envelhecimento. Castas (uvas) de pele mais grossa e vinhos com mais taninos (ver glossário) têm também grande potencial para envelhecer, como os Cabernet Sauvignon, os Syrah e os Nebbiolo.
  • Os vinhos brancos tendem a ser mais ácidos. E a acidez do vinho — por agir como conservante — ou o uso adequado de barris de carvalho durante a sua elaboração podem desempenhar um papel importante para uma maior longevidade. Bons exemplos são os Riesling da Alemanha e os Chardonnay da Borgonha, Framça.
  • A Master of Wine Jancis Robinson observou que apenas cerca de 10% dos melhores vinhos tintos e 5% dos melhores vinhos brancos podem melhorar significativamente com o envelhecimento. Além disso, afirma que só 1% de todos os vinho top do mundo tem a capacidade de melhorar depois de uma década.

 

Fontes: memórias das longas leituras do Rizz.

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